Restauração da Ponte Hercílio Luz entra na fase final

Restauração da Ponte Hercílio Luz entra na fase final

As barras de olhal, fundamentais na restauração da Ponte Hercílio Luz, em Florianópolis, chegaram no canteiro de obras da empresa Leia mais »

Verdes sem argumentos: o Brasil está alimentando mais de um bilhão de pessoas!

Verdes sem argumentos: o Brasil está alimentando mais de um bilhão de pessoas!

 – por Luiz Dufaur* –  A produção de grãos do Brasil é superior a uma tonelada por habitante (dados finais Leia mais »

Autorizada construção de empreendimento imobiliário em Governador Celso Ramos

Autorizada construção de empreendimento imobiliário em Governador Celso Ramos

do site do Supremo Tribunal Federal da 4ª Região, 8 de junho de 2017 – O Tribunal Regional Federal da Leia mais »

EUA desiste de acordo “mãe da natureza” assinado em Paris

EUA desiste de acordo “mãe da natureza” assinado em Paris

por Luis Dufaur –  As quimeras se complicam na hora de tomar contato com a realidade. É o caso do Leia mais »

As regras do cartão de crédito

As regras do cartão de crédito

por Daniel Teske Corrêa O equilíbrio financeiro é fruto de um exercício constante de planejamento e disciplina. Evitar dívidas requer Leia mais »

A estratégia da hipocrisia

A estratégia da hipocrisia

Quatro socialistas nos funerais do socialismo Nelson Ribeiro Fragelli* No artigo A mudança que desorientou a esquerda, publicado no “Corriere Leia mais »

 

Estancar sangria

por Percival Puggina – 

Na conversa gravada com Sérgio Machado, Jucá registrou a necessidade de um acordo para travar a Lava Jato como forma de “estancar a sangria”. Esse era o nome que ele dava ao jorro de denúncias, delações, investigações e prisões que, à época, diariamente, inundavam o noticiário. Para os pichelingues do erário, as seis gongadas do cuco eletrônico marcavam a hora dos horrores. A qualquer momento a Polícia Federal poderia bater à porta. Dá para viver assim? Por isso, aqueles cavalheiros de punhos limpos e alma suja ansiavam e anseiam pelo fim da Lava Jato.

Para os feirantes nos negócios do Estado, nada pode ser mais prejudicial do que a atividade desenvolvida em Curitiba. Contra ela se mobilizam altíssimos escalões da República e poderosíssimos agentes econômicos, para os quais uma cifra de milhões é fração. Contra a Lava Jato, a peso de ouro, confabulam alguns dos mais astutos e argutos advogados do país. E o STF? Pois é, já vi tantos ministros deliberarem, como queiram, ora com olho na forma da lei maior e contra seu espírito, ora no espírito da lei maior e contra sua forma, que o somatório das incoerências me levou à absoluta desconfiança. Quem devolve às ruas uma pessoa como o goleiro Bruno, ou manda indenizar presos, está, minimamente, preocupado com o bem da sociedade? Não, o meliante Jucá, que precisa de uns poucos votos para ser senador na despovoada Roraima, talvez dê mais importância aos cidadãos. São duras estas palavras? São, sim, eu sei.

A sangria que precisamos estancar é outra! Faz lembrar um derrame cerebral, um AVC nas instituições. Afeta funções importantes do corpo político deformando ou impedindo sua correta operacionalidade. É por causa dela que só tem base suficiente para governar quem integre ou negocie com a organização criminosa. Essa mesma sangria entrega poder aos espertalhões e afasta os sábios; cria um Estado de parvos e cúmplices; deixa-se roubar em bilhões e despacha os talentos. Não quer gente séria por perto.

Nosso AVC institucional implodiu os partidos políticos no que neles há de mais precioso e singular – seu programa, seus princípios, seus valores. Ou os partidos nascem disso, por causa disso, com vistas a isso, ou nascem assim como se forma uma nuvem de gafanhotos, voando na direção dos postos de poder. Dirigentes partidários, líderes políticos deveriam ser condutores com ideias na cabeça, ideais no coração e mãos operosas. São ingênuas estas palavras? São, sim, eu sei. Mas só o são porque a sangria nos levou a um realismo hipócrita que tornou ingênua, de fato, a mera normalidade.

A normalidade não nos faria sangrar 12,5 milhões de postos de trabalho. A normalidade não nos traria a estas pautas que abastecem as conversas cotidianas. Nela, na normalidade, partidos políticos seriam reconhecidos por suas propostas para o desenvolvimento social, econômico e cultural do país e não pelos prontuários de seus dirigentes. Sem essa sangria que nos levou o Brasil, não haveria entre as legendas brasileiras tanto banco de sangue à disposição dos vampiros da política. São duras? Sim, sei.

Enquanto no mundo civilizado, os países com boas instituições debatem grandes temas nacionais e internacionais, suas perspectivas de desenvolvimento econômico, tecnológico, sua sustentabilidade, sua integração, nós discutimos os humores de Jucá e de Moreira Franco e as delações de Marcelo Odebrecht. Enquanto o mundo civilizado está nas páginas de política internacional, economia, cultura, nós colocamos o país inteiro nas páginas policiais. Enquanto no mundo civilizado, a sociedade faz os debates, nós somos espectadores do Estado e escolhemos alguns personagens para vaiar. Estancar sangria é, também, acabar com isso e criarmos partidos que acreditem mais nas potencialidades da sociedade do que no suposto e fajuto protagonismo do Estado.

________________________________
* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.