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COP21: “pressão moral” ou “pressão imoral”? O âmago da questão

Luis Dufaur –

Na medida que se aproxima a Conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações Unidas, ou COP21, o ambientalismo radical e as esquerdas em geral preparam uma grande pressão. Eles têm muito a ganhar.

A COP21 visa assinar um tratado que substitua o decaído Protocolo de Kyoto que teoricamente devia limitar as emissões de CO2 no planeta.

O Protocolo de Kyoto hoje está falido e deve ser substituído, segundo eles. Alegando o combate ao aquecimento global e a diminuição das emissões de CO2, o novo acordo visaria instaurar uma governança mundial sob a qual as nações perderão soberania, em graus crescentes.

Essa governança verde já nascerá voltada contra a riqueza das nações – os países ricos e também aqueles que aspiram a sê-lo – com projetos de essência socialista fortemente condimentados com utopias malsãs de cunho anarco-tribalista, como o CIMI e outros tentáculos da CNBB já nos têm acostumado.

Também o Papa Francisco I se engajou na campanha de “pressão moral” para a COP21 aprovar esse governança planetária, muito parecida com as utopias de séculos passados.

Nesse sentido publicou a encíclica ‘Laudato si’ que causou espanto nos espíritos mais ponderados, especialmente no campo científico, pelo favorecimento das hipóteses aquecimentistas da religião verde.

Nós temos dedicado diversos posts a esse pronunciamento e os aplausos quase unânimes das esquerdas mundiais e a grande cobertura midiática que recebeu.

Na mesma linha de “pressão moral” sobre a COP21, o Papa Francisco reuniu no mês de julho (2015) perto de 70 prefeitos de esquerda do mundo no Vaticano.

Ele os exortou a empreender essa cruzada sem cruz. “A Santa Sé pode fazer um belo discurso nas Nações Unidas, mas, se não partir de vocês, das grandes ou pequenas cidades, não haverá nenhuma mudança”, disse, segundo a Agência Brasil.

A objetividade nos leva a considerar que a COP21 tem mais um aspecto relevante.

A crise climática não é fato científico, mas mero pretexto pró-socialista tribalista.

A crise climática não é fato científico, mas mero pretexto pró-socialista tribalista.

Ela reunirá em Paris por volta de 40.000 políticos na sua maioria comprometidos com a agenda verde; funcionários governamentais ou de órgãos internacionais; grande número de ativistas verdes – especialmente das ONGs mais radicais encarregadas de “representar a sociedade” e de encenarem o folclore tribalista-ambientalista –, lobistas defensores de toda espécie de interesses, além de milhares de jornalistas devidamente instruídos pelas redações de seus jornais.

No total essa multidão seleta e bem paga confluirá de 195 nações, a ponto que lhes está reservado em Paris o maior aeroporto da Europa exclusivo para jatos privados.

A viagem além de bem paga será também compensada com hotéis e benesses oficiais. Fazendo alegre parte desses “happy few” teremos os “defensores dos pobres” increpando o “aquecimento global” provocado pelos “ricos”.

Essa “pressão moral” só será verdadeiramente moral se tiver fundamento na realidade dos fatos. Caso contrário, será uma genuína “pressão imoral”.

Neste blog temos documentado abundantemente os exageros e as fraudes da confraria ambientalista.

Entrementes, a gravidade do que estará em jogo na COP21 de 30 de novembro a 11 de dezembro de 2015, nos leva a insistir nesse ponto capital que distingue o “moral” do “imoral” no caso.

Quando o Papa Francisco promoveu o Seminário “Proteger o Planeta, Tornar Digna a Humanidade” por intermédio da Pontifícia Academia das Ciências, o Dr. Calvin Beisner, fundador e porta-voz nacional da Cornwall Alliance for the Stewardship of Creation (Aliança Cornwall para o Manejo da Criação), concedeu entrevista a “Catolicismo” que ganhou atualidade em função da COP21.

Reproduzimos essa entrevista a continuação em dois posts em virtude de sua extensão.

Catolicismo — O que levou ao senhor, por ocasião do Seminário “Proteger o Planeta, Tornar Digna a Humanidade” promovido no Vaticano pela Pontifícia Academia das Ciências, a organizar uma Convenção informal, em Roma, e a enviar uma Carta Aberta ao Papa Francisco sobre as alterações climáticas?

Calvin Beisner — Antes de mais nada, quero deixar claro que não fui eu quem organizou a referida convenção prévia, se bem que tive o privilégio de tomar parte dela, mas quem realmente a organizou foi o Instituto Heartland.

São nossos bons amigos e tive a satisfação de nela poder participar. Fiquei surpreso com a rapidez com que a montaram em apenas cinco ou seis dias.

Por que foi importante tratarmos dessa questão? É claro que o Papa Francisco tem uma influência moral enorme no mundo como o chefe da Igreja Católica, com cerca de 1.2 bilhões de pessoas, que o consideram seu principal mestre de moral nesta Terra.

Seja qual for a posição que em sua Encíclica venha a assumir a propósito de várias questões, é natural que será altamente influente.

Como afirmamos em nossa Carta Aberta, estamos certos de que o temor de um perigoso “aquecimento global provocado pelo homem” é determinado por modelos climáticos que já fracassaram no teste-chave da ciência.

Catolicismo — A mídia noticiou amplamente essa Carta Aberta e a Conferência prévia que realizaram em Roma. O senhor acha que foram bem sucedidos em influenciar o debate sobre o “aquecimento global”?

Calvin Beisner — Bem, é muito difícil avaliar isso em círculos políticos e sociais, particularmente nos eclesiásticos e teológicos. Eu julgo bastante provável que nossa Carta Aberta tenha exercido uma influência significativa.

Poucas semanas depois de a difundirmos, em 28 de abril último, noticiou-se que o Vaticano havia adiado a publicação da Encíclica, aparentemente porque não esperava que a mesma viesse contar com a aprovação da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, dirigida pelo cardeal Gerhard Müller.

Sei que diversas pessoas levaram nossa Carta Aberta diretamente às mãos do Cardeal. Assim, sou levado a crer que ele tenda a coincidir com tal mensagem. Assim, penso que é muito provável que ela teve sua influência, mas humanamente falando é muito difícil prová-lo.

Catolicismo — Foi o senhor que escreveu a Carta Aberta ao Papa Francisco?

Calvin Beisner — A primeira redação foi minha. Recebi também opiniões de um certo número de especialistas — teólogos, filósofos, cientistas — assim como de economistas. Na realidade, foi produto de uma equipe.

continua no próximo post: COP21: raiz ateia, anticristã e anticientífica da proposta ambientalista